UMA HISTÓRIA QUE NÃO ME SAIU DA CABEÇA

Foi em Maio deste ano que contei aqui a história de dois jovens que descobriram o amor numa estação de combóios de uma pequena cidade do interior. Porque, se por um lado, as carruagens da vida já ultrapassaram duas estações -estando prestes a chegar a uma outra, viagem mais que suficiente para que, de qualquer história de amor se possa averiguar da sua evolução, e por outro, de me sentir de certo modo responsável pela existência e qualidade de vida das personagens que neste espaço vou criando, delas procurei saber notícias de um percurso existencial sem a tutela protectora?! dos desvarios ficcionais do autor dos seus dias.
Rui -assim se chamava o jovem, filho de um chefe de estação de combóios, viajou de facto para a capital, estudou as teorias da representação e licenciou-se no teatro da vida. Dramaturgo de sucesso, tem peças representadas nas salas mais reclamadas do país e a comédia "O Chefe da Estação Finou-se", está em cena há dois anos no Cine-Teatro de Cernache de Cima. Alice -era a graça da empregada do anónimo salão de cabeleireiro da terra, por via das cartas que escrevia para familiares distantes, começou a perceber que a vocação para as letras era uma certeza onde não cabiam dúvidas. É hoje uma escritora premiada na área da literatura infanto-juvenil. Os títulos mais recentes de uma vasta obra são os incontornáveis "Alice no País das Ervilhas" e "O Gato das Portas". Ambos viajaram no mesmo combóio e não juraram amor eterno. Só para contrariarem o autor destes textos...
Ver o post (aqui mesmo ao lado direito, três espaços acima, em Archives) "A Estação sem Correspondência para o Amor" de 8 de Maio, 2006.
Verge de Lluc, Palma de Maiorca, 2006. Texto e foto de: Alberto Oliveira.
33 Comments:
Epa, lá pq n se jura amor eterno, n quer dizer q n acabemos por nos encontrar nos seus braços...
Há mais linha q comboios... ou será q era marinheiros? :)
Um abraço.
Só para contrariar... Realmente, que mau feitio o deles :p
Beijinho, e bom fim-de-semana (prolongado, segundo dizem... ;)
A vida tem destes (des)encontros!
Um óptimo fim-de-semana!
eles lá conheciam o feitio do dito (pena irónica, se os encontrasse juntinhos juntinhos, sabe-se lá as coisas que não diria)?
depois de beijos e afagos, conversas e outras tretas, apearam-se em Santa Apolónia e exclamaram: Sabes esperar? Deixaram o fulano - o autor - escrevinhar o que lhe apetcer mas este tanto demorou que outros amores apareceram, lá foi a espera, a promessa.
Bom fim-de-semana (grande!!!!)
Isso foi só porque quem mais jura mais mente!... :)
Olá!
Está muito bem planeado. CREIO QUE NÃO DEVIA HAVER JURAS PARA O AMOR, MAS... o ser humano!...
Um abraço
Adorei
bela ironia sobre as vocações e a relação criador criatura...Tutelas à parte, o post está uma classe!
Um abração
.. e talvez tenham chegado a escrever algumas histórias, mais intimas, juntos.. talvez as guardem só para eles.. longe dos olhos de narradores intrometidos.. eh eh.. Vou inspirar.me nos títulos da Alice.. nunca se sabe se não chegarei ao país das maravilhas ;)
... a mim também não me sai da cabeça que és um grande comilão, daqueles que têm mais olhos que barriga... no primeiro era tudo marmelada depois arranjas uma caldeirada
e o par amoroso não come nada!
Gostei desta tua história, que tanto faz seja em Maio ou em Novembro...porque histórias de amor acontecem todos os dias da nossa vida.
E, logo numa estação de combóios de uma pequena cidade do interior. Que lindo. Que romântico!
É bem verdade, as carruagens da vida já ultrapassaram duas estações - estando prestes a chegar a uma outra.
Bom fim de semana.
Abraço.
directamente do país das ervilhas para te agradecer o teu regresso aos melhores comentários, um doce, um mimo, com tantas calorias de ternura, vou mudar-me da terra dos legumes verdes para o teu avental!
beijos muitos (tinha saudades)
não fui rever o post, mas lembro-me bem desta fotografia!... era uma históra de amor, sim e, pelos vistos, continua a ser... mas também me lembro de ter intuído algo de agressivo na imagem...
As juras de amor eterno são sempre verdadeiras e bonitas nem que durem um momento!
"Ambos viajaram no mesmo combóio e não juraram amor eterno. Só para contrariarem o autor destes textos..."
Mas admito que tenham uma certa razão...afinal ele não é o protagonista!Elas, as personagens, não gostam que estejam sempre a decidir os seus destinos. Já lhes basta que tracem o seu retrato psicológico e físico, mas os destinos não! Santa paciência...nem a personagem mais pacata do mundo admitiria isso!! Essa é que é essa!! Liberdade para amar quem queremos, sr. escritor... liberdade!
E da negação "não que procurasse fazer um levantamento exaustivo sociológico sobre o tema" (desculpa, mas é defeito profissional) nasce a minha dúvida discreta: e tu, naquele momento, viajante captador de pedaços a que emprestas vida?...
Abraço, sim, claro!
:-)
PS - E o MFC falou e disse. Qualquer eternidade que julgamos sentir vale por si. Finitos que somos, efémero tudo em redor, é o maior dos luxos que a vida nos dá. Ridicularizamos isso também? O que nos sobra? Nós a rirmos de nós?
Caro Legível
Onde já se viu?! "Só para contrariarem o autor destes textos..." As personagens ganharem assim vida própria mandando à "ervilha" o autor dos seus dias?!!! Era pô-los já novamente na "linha" para verem o que era bom para a "tosse" :)
Tenha um excelente final de Domingo
Excelente exercício este. É sempre um desafio continuar uma história que se deu por terminada e, neste caso, vencido.
Abraço.
E para quê, jurar amor eterno.
Somos simples mortais.
:)
Gostei muito do que li.
ser do contra... pois claro :)
um beijo
Adorei o teu comentário - sublime!
Deste-me um sorriso para o resto do dia.
Obrigado.
A notícia chegou pelo jornal, que por via oficial ninguém se manifestou: Teatro A Barracada fecha as portas.
A leitura do curto texto que acompanhava tão dramático titulo, explicava o porquê do encerramento: tudo se resumia a dificuldades financeiras, agravadas nos últimos meses devido à fraca atracção de público - nas entrelinhas, subentendia-se a pouca qualidade dos espectáculos levados à cena. O parágrafo final deixava em aberto a possibilidade do terreno em que se encontrava o teatro ser necessário para a passagem do comboio de alta velocidade.
O autor-encenador, deu um murro na mesa e vociferou bem alto.
- Não sabem o que é arte! Cambada de burocratas. Querem fechar? Pois que fechem. Não me merecem! Não me merecem...
Um pombo, único ser vivo presente para além do auto-encenador, levantou voo de uma das vigas do tecto e abandonou o recinto.
- Traidor! Todos a abandonar o barco, só porque vem aí o comboio.
Caiu prostrado na mesa onde jaziam os textos da mais recente peça e adormeceu. Sonhou com um piquenique no telhado de uma estação de comboio.
Uma rajada de vento esgueirou-se por baixo da porta do velho teatro e percorreu toda a plateia, levantando uma ténue nuvem de pó, extinguindo-se quando empurrou algumas das suas folhas.
Na página par, canto inferior direito, podia ver-se a foto de uma jovem sorridente e na legenda: jovem autora lança o seu mais recente livro infantil O Teatro da Fantasia.
Labirinto de símbolos... ;)
Dark kiss.
Assim se trocam as voltas e se matam 2 coelhos de uma cajadada.
Tu trocas as voltas aos teus leitores da história anterior, e eles, a Alice e o Rui com uma enormerrima lata, trocam-te as voltas a ti.
Ele há coisas que não lembra ao diabo.
Lembrou-te a ti e bem.
No entanto eu romântica me confesso e estou em crer que alice ira progredir na carreira acabando por vir a escrever peças de teatro. A profissão fará com que de novo se encontrem. Alice escrever para Rui uampeça na qual os protagonistas se irão encontrar numa estação de comboios numa pequena cidade do interior, ai descobrir o amor. E ai antes da partida dos comboios onde cada um seguiria para diferentes destinos , fariam promessas de amor eterno.
Até já.
Isabel
e é por causa de pessoas como tu. que um dia eu hei-de entender-me. beijinho grande. e obrigada ;)*
Há uma cena no filme Paris je t'aime que encaixa direitinho aqui!
estás com a corda toda, hem? e não digo da corda que te mantém trabalhando por horas, no (des)acerto das horas, mas sim da corda que ata, literalmente! - quem se atreve a comentar tuas histórias!!!
clap! clap! clap!
Um abração.
Olá:)
Dou pelo tempo a passar e verifico que já não vinha ver-te há muito. Vou por as leituras do teu blog em dia.
Saudações;)
A vida é como um comboio, as estações as etapas dessa vida, e o comboio até poderia cumprir o horário, não fossem os apiadeiros.
Um abraço. Augusto
PARA MEMÓRIA FUTURA
Não jurei amor eterno e de tal não me arrependo. O país das ervilhas é hoje o meu jardim das maravilhas. Os direitos de autor já me deram para comprar um jacto particular e não voltei a andar de comboio. Filho de ferroviário, amor e uma carruagem, não fazem parte do meu novo estatuto. O gato com quem vivo já não tem os arroubos de um teen-ager, mas trata-me como uma princesa deve ser tratada e guarda zelosamente as portas do meu "château". Estou em vias de publicar mais um livro, desta vez para sexagenários (que são cada vez mais numerosos). Penso intitulá-lo "Uma história que nunca me entrou na cabeça".
Respeitáveis saudações.
Alice
P.S. Sabe dizer-me o que é feito de um tal Rui?
A tua imaginação sempre a deixar soltar as palavras que se encontram tão bem...e lá tive eu de as ir buscar! :)
Abraço
ainda lembro de a ler...
és engraçado, sem margens de dúvidas.
beijinhos
[aos dois]
ah pois é ! ;)
Obrigado por nos teres dado noticias desses dois. Havia dias em que pensava mesmo neles, tipo "o que será deles?" Agora já sei!
bjs
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