Sunday, August 27, 2006

AS CORES de um RIO
















Era assim que imaginava um espaço de arte. Sem a praxis maçadora, da menina que assim que ele põe um pé adentro de qualquer galeria, corre solícita a meter-lhe na mão uma folha A-4 com os preços das obras expostas em dígitos bem visíveis, ao mesmo tempo que o informa que se tiver alguma questão a colocar está ali "para o que fôr preciso". Que pressente que os olhos dela não perdem nenhum dos seus movimentos enquanto se desloca, e de cada vez que se detém um pouco mais na apreciação de uma peça, sabe que corre o risco de assédio comercial imediato, o que o leva a deduzir que tem uma espécie de "X" na testa (salvo seja!), a apontá-lo como coleccionador de largas posses, o que não é o caso.
Aqui, a liberdade de desfrutar as cores e as formas é plena; e a cumplicidade entre o céu azul cerúleo e a mansidão do rio que atravessa a cidade, é o cenário ideal para se imaginar, também ele, detentor de alguns dos trabalhos que observa. De olhos deliciados, debruça-se no murete que ladeia a margem. E tanto se delicia e se debruça, que cái ao rio... que o acolhe entre as cores e formas que se espelham à sua superfície.
Ljubljana, 2006. Texto e foto de: Alberto Oliveira.

19 Comments:

Blogger alice said...

que delícia, legível

o meu domingo ficou melhor depois que vim aqui

obrigada pelos últimos posts e um grande beijinho

alice

27/8/06 17:19  
Blogger Maria P. said...

Belas cores para começar a semana da melhor forma.

Boa semana:)

27/8/06 22:22  
Blogger passarola said...

vim aqui passear pela primeira vez.. belas fotos e belos textos.. tenho que te dizer que adorei ler a Tia Julia e o Escrevedor, do Mário Vargas Lhosa e até hoje ainda não tinha conhecido ninguém que tb o tivesse lido.. muito fixe!!! :)

28/8/06 09:51  
Blogger Marco Ferreira said...

Deve ser mesmo a melhor forma de apreciar arte. Estar junto a outra arte, a da natureza.

marinheiroaguadoce a navegar

28/8/06 12:47  
Blogger Licínia Quitério said...

Um pescador lançou a linha e, para seu espanto, pescou um quadro. Representava um homem debruçado na amurada do murete daquele mesmo rio.
Secou-o e levou-o para casa. Passados dois dias retirou-o da parede. Não sabia explicar, mas dava-lhe um certo arrepio olhar para aquele homem. É que o diacho do velho tinha uma camisa aos quadrados tão parecida com a dele...

28/8/06 17:08  
Blogger anirac said...

com tanto olhar algo tinha que cair para o lado!eh beijo

28/8/06 17:53  
Blogger augustoM said...

Essa solicitude da empregada é porque tens aspecto de endinheirado, quando entro, também aparecem logo, mas com um, desculpe, deve se ter enganado na porta.
Saio triste, não por ela mas pelos bolsos vazios, e para me vingar, vou ver o teu rio que bem bonito.
Um abraço. Augusto

28/8/06 22:06  
Blogger JPD said...

Caro Alberto

Lamento o facto do protagonista ter involuntariamente mergulhado, por queda surpreendente, e, no entanto -- emboara pareça comntraditório -- congratulo-me pelo facto de estarmos perante uma paleta tão singular.
Bravo!

Bem.
O que realmente quero escrever é que a foto é magnífica e tens toda a razão quanto à emoção e ao descomprometimento de tudo quanto dizes observar.

Bela viagem que tens vindo relatar.
Um abração

28/8/06 22:36  
Blogger A. said...

Espaço de uma beleza única...azul,como não poderia deixar de ser.Uma aguarela,clara
e nítida.




Assim é Ljubljana.

Assim são sempre as tuas
palavras Al.Abraços e beijos.

28/8/06 23:04  
Blogger lélé said...

Que post bonito! Como sempre, uma foto óptima e um texto a condizer. A arte pela arte, a arte não prostituída! Eu, que nem vou à missa com a poesia, achei o texto altamente poético... não sei porquê!... Talvez a poesia seja isto que senti ao lê-lo!..

28/8/06 23:17  
Blogger Sea said...

Um grande :) ao ler-te.
beijo

29/8/06 08:35  
Blogger Phi@ said...

purificador sem dúvida a embalar mentes mais distraídas...bxox

29/8/06 09:59  
Blogger Rui said...

Pegou na folha A4 e, instintivamente, procurou um balde de lixo. A falta de um, fê-lo ter melhor ideia: aproveitaria o verso da folha e faria um desenho com os lápis de côr que trazia sempre na mochila. Iria tentar reproduzir as cores do rio do outro lado do preço da arte.

29/8/06 10:32  
Blogger Teresa Durães said...

(a rapariga ficou da cor do lodo? de óleo? radiactiva? morreu de cancro?)

Eu tenho vindo te ler, só não tenho comentado!

Olá legível!!!!!

29/8/06 10:43  
Blogger Teresa Durães said...

olha... pois foi... foi ele> que mergulhou...

(isto hoje tem sido uma correria por aqui.... estou perdoada? espero que sim senão vou dizer à colega de mestrado o que dizes aqui sobre ela!)

29/8/06 12:47  
Blogger Silvia said...

A arte é devia ser mesmo assim. acessivel e compreensivel a todos.

30/8/06 09:36  
Blogger .*.Magia.*. said...

Olá legivel...gostei de ler esta liberdade nua de apreciar aquilo que nos apetecer chamar de arte...!
Num passe de arte mágica...fica um beijo suspenso nas cores do ar...agarra-o, é para ti!

30/8/06 11:15  
Blogger Llyrnion said...

E vá lá, ser um "X" já n é mau...

Olha se fosse um "O"? :)

Um abraço.

1/9/06 00:48  
Blogger o lápis said...

Bommmmmmmm :) adorei a foto :))

e a "estoria" também, deste Narciso turista :))

8/9/06 12:04  

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