Wednesday, October 14, 2009

O RABO DA PERSEGUIÇÃO ? (3)









Nesse mesmo dia, Lídia - a jovem que se encontrava no texto anterior desta história, precisamente na esquina da transversal Rua dos Correeiros com a pedonal Augusta - depois de uma curta troca de palavras com o autor destas linhas, aceitou (não sem algumas reticências mas prontamente desvanecidas a troco da oferta de um rolo de "Papel de Fantasia" com dedicatória) em desprender o cabelo, pintá-lo de preto e guardar os óculos escuros na sua mala. Assim, menos possibilidade teria de ser reconhecida e, com facilidade, continuar a seguir os movimentos de Eunice. Jesualdo, tinha-lhe pedido um relato pormenorizado dos passos da sua mulher e prometeu compensá-la cedo e a boas horas. Lídia, uma anónima técnica contabilística camarária e leitora apaixonada de Patricia Highsmith nem pensou duas vezes: concretizava-se o sonho de representar o papel de uma personagem decisiva nesta psicológica e negra intriga. Tão empolgada perseguia Eunice, enquanto ao mesmo tempo consultava o gê-pê-ésse para decorar o caminho de regresso a casa, que nem se apercebeu, ser ela própria, também seguida (desde a Rua do Arsenal) por um indivíduo de óculos escuros fumados e camisa azul-nicotina.

Quem segue quem no próximo texto? Será este (texto) a cauda da perseguição?
Texto e foto de Alberto Oliveira.

22 Comments:

Blogger gabriela rocha martins said...

eu sigo e persigo.TE

( se sou ou não a cauda ,pouco me interessa ,suspenso o fôlego )




.
um beijo

14/10/09 17:21  
Blogger lélé said...

Já tinha reparado que a sensação de andar a ser seguido (vulgo "mania da perseguição") se estende a nível nacional e ninguém escapa à paranóia!...

Este texto faz-me lembrar uma pintura de Magritte... Não sei qual, nem mesmo sei se ele tem uma pintura que me faça lembrar este texto, mas, seja como for, duvido que tenha cauda...

14/10/09 20:46  
Blogger oxalá said...

Isto está melhor que uma crise de capa e espada! Nem sei onde vai ser a estocada homérica!

Mas fiquei doida com a camisa azul nicotina - vou já comprar uma!

14/10/09 21:36  
Blogger oxalá said...

ó da guarda que voltou o perigo aos quadradinhos!
Acudam à vizinha!

14/10/09 21:39  
Blogger Lídia Borges said...

Ai, essa Lídia é mesmo parecida comigo no que se refere ao decorar caminhos.
Ando sempre perdida. :)

Um beijo

14/10/09 22:24  
Blogger Rosa dos Ventos said...

E lá fico eu em pulgas! :-))

Abraço

15/10/09 14:37  
Blogger MagyMay said...

Pára!!!...Pára!!!...Aguenta a história!!!!!!!!!!

O da camisa azul-nicotina está a passar à minha frente... tem o tabuleiro na mão, escolheu arroz de pato (que à 5ªfeira o rancho é melhorado) uma "mine" e pastel de nata...

Vou contar tudo à Eunice, à Lígia e ao Jesualdo... ai vou, vou, que a mim estas coisas revoltam-me,tenho um coração muito puro e sou muito amiga do meu amigo!!!!!

(estou a triliar....hoje o dia não me está a correr nada bem...)

15/10/09 14:38  
Blogger Fa menor said...

A Espia do Papel de Fantasia!

olha rimou!

mas que perseguição!

será isto resultado de amores ou de falta de pão? ehehe

Bjs

15/10/09 15:44  
Blogger JPD said...

Caro Alberto

A tradição já não é o que era.

No Sec. XIX, nos promissores EUA, os Cowboys de má estirpe, linfáticos e sanguinarios, enterravam chapéus na cabeça e lenços desde a ponta do nariz até ao primeiro botão da camisa.
Porquê?

Por muito estranho que pareça, nos dias de hoje, importavam-se pouco em mostrar os olhos, não queriam é que se visse a maçã de Adão -- A fisiologia da culpa, do abandono do Paraíso, a vergonha originaldo pecado.

Agora, não!
Ninguém encara o dia -- soalheiro ou plúmbeo; para perseguir ou ser perseguido -- sem colocar óculos escuros; soltar ou amarrar o cabelo.

Prognóstico reservado: quem solta o cabelo para, disfarçadamente, perseguir sem cuidar que está a ser perseguido por um sujeito que colocou os óculos para o efeito, irá soçobrar.
Imgenuamente caíu nas malhas darwinistas de uma espúria e malsã cadeia alimentar e na mais funesta lei do mais forte.

Aguardo desenvolvimento que desminta estas especulações.
Um abraço

15/10/09 22:31  
Blogger tulipa said...

Nesta estação de Outono relaxe e retempere forças!
As alterações climatéricas (quais…) temos tido verdadeiros dias de Verão… influenciam o estado da nossa saúde, ao nível das mais diversas doenças.
Hoje comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Em vários pontos do País realizam-se palestras dirigidas ao público em geral (entrada livre), com sessões onde se discute as temáticas de nutrição e hidratação.

Para mim este dia tem 2 significados, um mau e outro bom, felizmente.
Assim consegue-se algum equilíbrio.
Faz hoje 34 anos que perdi a minha querida Mãe e faz hoje 1 ano que fui à entrevista de selecção para o meu novo e actual emprego, posso dizer que em boa hora lá fui, ao Porto.
Mas, nos meus blogues falo de cinema e faço um desafio. Será que posso ver o que vês da janela do teu quarto?
Eu mostro o que vejo, sinto uma paz tão doce.

Um abraço.

16/10/09 01:54  
Blogger uminuto said...

eu sigo o texto à espera do último da fila
um beijo

16/10/09 15:49  
Blogger Alien8 said...

Bonito!
Agora estou sempre a espreitar para trás, não vá a Lídia ou o homem da camisa azul-nicotina andar a seguir-me os passos. Logo eu, que nem dou muitos...

Pensando bem, antes a Lídia. Enfim, sempre é apreciadora da Patricia Highsmith...

O outro, a mim, parece-me suspeito.

Coitada da Eunice. Como a compreendo!

E agora vou esperar pelo próximo capítulo.

Estou a gostar do enredo. E mais não digo.

Um abraço.

17/10/09 00:14  
Blogger Joana said...

Eu cá acho que deve ser o Sô Pires, dono da mercearia e que gosta de jogar às damas no largo do carmo ao fim-de-semana.

17/10/09 00:19  
Blogger Idun said...

o cavalheiro de coração destroçado e com ar chorão, que se vê na foto do 2º episódio, é nada mais, nada menos, do que um ex-namorado de lídia. foi ele quem contratou o homem dos óculos escuros para seguir todos os passos de lídia, por não acreditar que o motivo pelo qual ela lhe "deu com os pés" tenha sido o que lhe referiu: a necessidade de se sentir livre, para se dedicar por inteiro à espionagem.

a eunice, do 1º para o 2º episódio, perdeu tranquilidade mas ganhou elegância.

estou a ver que, no último episódio, nos deparamos com todas as personagens desta história, juntas e aos saltinhos, em alegre dança, no irish bar.

marradinhas e patadinhas amistosas da bicharada e um abraço da Humana

17/10/09 21:01  
Blogger bettips said...

Do enredo ressalvo o homem que fumava os óculos e roubava gê-pê-ésses a raparigas distraídas e apaixonadas seguidas umas às outras...
como os "gatos em férias" - acasos da imaginação, topas? É que foi durante as chapeladas eleitorais ...
Agora aguarda-se a recom-pensa do Jesualdo - ele já está bom do petisco? digo, menisco? ou ele "é outro"?
(já não te basta a cauda da europa, ainda tens um texto-cauda e "um terceiro homem" na calha?)
Bjinhos

18/10/09 01:39  
Blogger Arabica said...

Tataténs a totê
testa tata tetita
tuitas tetititates
tuitos tatos te tita,

ia a Lídia a cantarolar baixinho, pelo cais das colunas fora, quando tropeçou na nicotina do homem.

Fuma?
não, não apenas tusso :))


Muitos beijinhos e noite feliz!!

18/10/09 22:33  
Blogger isabel mendes ferreira said...

tÃO BOM DE LER.






ABRAÇO.

19/10/09 10:26  
Blogger Justine said...

Para apaixonada da Patricia Highsmith, a Lídia:
1º- tem pouco sentido de orientação
2º- nunca devia ter tirado os óculos escuros
Para aclarar as coisas(???), que tal se o autor das linhas a apresentasse à Agatha Christie?

19/10/09 16:42  
Blogger gabriela rocha martins said...

então?




com




.
um beijo

19/10/09 17:04  
Blogger Mar Arável said...

Dá-lhe

o azul nicotina

é um espanto

para qualquer esquina

19/10/09 23:19  
Blogger Azul said...

Olá, olá olá!! Não desapareci na senhor. Fui só ali dar uma curva, mas já voltei!

Pelo que li aqui, isto tá-se a tornar num policial, ou foi impressão minha?? Perseguição de textos, e mais não sei quê!! Sim senhor, legível com toda a sua forma!
Abraço para si. Até breve. Azul.

20/10/09 15:02  
Blogger Licínia Quitério said...

Cá para mim, a perseguição não se fica por aqui. Ainda há-de entrar em cena aquele senhor um tanto careca, à direita-alta, que parece não perder pitada do desenrolar da cena. O que me intriga é que ele parece só ter um bracito e isso não ajuda nada um expedito relato escrito dos acontecimentos que, por certo, o Papel lhe vai exigir para "memória futura", como agora muito se diz por aí.
E ainda agora o folhetim vai no adro... (Uma delícia, diga-se!)

21/10/09 16:58  

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