Monday, September 21, 2009

E DE REPENTE O AMOR















Quando ele suspendeu a corrida contra o tempo de todos os seus despreocupados e agradáveis dias úteis e lhe perguntou "se precisava de ajuda para atravessar a larga avenida" que a separava da gravilha solta para a compactada e entendiante actividade que lhe ocupava um terço do total das horas de uma semana - sem contar com as dos dias inúteis, que a essas nem tinha coragem de as contar - ela não se mostrou surpreendida: acreditava piamente que à condição humana não faltavam momentos de imprevisto enamoramento e aquele ciclista não tinha ar de quem se socorria de produtos dopantes para atingir fins menos confessáveis. Agarrou-se de tal modo à ideia do romance caido do céu aos trambolhões-em-duas-rodas que já se via a viajar por seca & meca na companhia do seu galante companheiro. Os dois, de tandem. De olhos brilhantes de felicidade, preparava-se para responder afirmativa e alegremente quando o coração lhe caiu aos pés: reparara que ele tinha uma pedra no sapato*...

* Não seria bem uma pedra; era mais uma pedrinha. O homem também não usava sapatos; calçava havaianas. Mas isso retira ou aumenta alguma coisa ao conto?

2009. Texto e foto de Alberto Oliveira.

22 Comments:

Blogger Justine said...

Ninguém, nunca, é perfeito!
Mas como uma pedrinha é coisa que rapidamente se sacode, siga o sonho bom...

23/9/09 14:51  
Blogger Rosa dos Ventos said...

Exactamente!
Ele que sacuda a pedrinha e siga o conto!
Eu fico à espera...

Abraço

23/9/09 20:57  
Blogger Lídia Borges said...

Ah! As pedras nos sapatos são um aborrecimento. Pior que isso... São uma "praga"

23/9/09 22:06  
Blogger Joana said...

São as contigências da moda... de havaianas em cima de gravilha à sempre uma pedrinha que se intromete... :/

é a moda das havaianas e das camisolas de marca... eheheheheh!

sorrisos

23/9/09 23:35  
Blogger Arabica said...

Moral da história: Não há romance caído do céu aos trambolhões que não traga pedrinha no sapato!

:) Vou ter saudades das minhas!

Beijinhos e sorrisos

24/9/09 08:10  
Blogger Mar Arável said...

Essa pedrinha

é a cereja no conto

Muito bem conduzido

o leitor

24/9/09 22:57  
Blogger Ruela said...

São pedras Senhora, são pedras ;)

Abraço.

24/9/09 23:06  
Blogger MagyMay said...

E será que há por aí o que quer que seja, lindo, maravilhoso que não tenha uma ou outra pedrinha (ou pedregulho..)????
É o que faz usar as tal de havainas!

25/9/09 14:54  
Blogger Fa menor said...

Por vezes é uma difícil descalçar essa bota para tirar a pedra do sapato, mesmo que seja de havaianas.

Bjinhos

25/9/09 19:55  
Blogger São said...

Admiro essa capacidade de em poucas palavras dizer tudo quanto importa.

Bom voto.

25/9/09 21:07  
Blogger uminuto said...

Siga o romance, que histórias sem pedrinhas não são histórias reais
um beijo e bom fds

26/9/09 14:24  
Blogger Filomena Barata said...

Amigo Alberto, as havaianas são imperdoáveis: inestéticas e permeáveis de mais.
Haverá amor que lhes resista?
Bom fim de semana.
Continua os teus contos. Sempre te revisitarei

26/9/09 15:38  
Blogger lilipat2008 said...

Também há pedras nas havaianas...:)

bjs

26/9/09 22:28  
Blogger tulipa said...

OLÁ AMIGO
Como pode imaginar não tenho tido muito tempo...só hoje vim à blogosfera e vim visitá-lo.
Do fundo do coração estou muito desiludida...
Fiz quase 100 convites para a inauguração da minha exposição - sábado passado, dia 19...
Tou triste.

Sabe porquê?
Tantas pessoas que têm a oportunidade de ver outra cultura, outro povo através dos olhos de quem lá esteve...
será que "alguém" vai lá ver?
Dentro de 4 dias já será desmanchada, é uma pena...

Abraços.
Boa semana.

28/9/09 00:34  
Blogger ~pi said...

ora

porquê valorizar uma

pedra... pedrinha...?

ainda se fosse uma...vá, um pedregulho-tipo-montanha!!

eu gosto de pedras [ é uma coisa rara de acontecer ?

e além disso, também gosto de roupa branca ...




beijo :)






~

28/9/09 15:12  
Blogger Licínia Quitério said...

Lá diz o ditado: "Na melhor havaiana cai a pedra". Ou será: "Debaixo das havaianas se levantam os trabalhos"?. Estou um pouco baralhada. Mas há aquele: "Quem conta um conto acrescenta um ponto". E pronto. Não há pedra que atrapalhe o teu conto. Nem pederegulho que lhe cause engulho.

Beijinhos.

29/9/09 14:14  
Blogger Maria Clarinda said...

Pois por vezes as pedrinhas fazem a diferença...Adorei.
Jhs

30/9/09 13:14  
Blogger São said...

à falta de novas, um abraço

30/9/09 17:54  
Blogger Arabica said...

Eu acho que para se escrever assim, devem-se ter olhos azuis :)

30/9/09 21:02  
Blogger gabriela rocha martins said...

pedalando vamos nós presos à narrativa


( suspense! )



.
um beijo

1/10/09 16:57  
Blogger Paula Crespo said...

Pois é, há sempre uma pedra no sapato... certamente fará parte da imperfeição humana ;)
Mas vamos ter esperança neste caso, já que ele calçava umas arejadas havaianas: pode ser que, com sorte, a pedrinha saia mais facilmente... ;)
Excelente conto, uma vez mais com um humor refinado a rematar!

8/10/09 11:40  
Blogger M. said...

Oh! Que pena!

9/10/09 18:39  

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